Morte e Vida Madalena Por um cinema sem rótulos

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Por um cinema sem rótulos | 58FBCB 2025

Última atualização: 16/09/2025

A sessão do primeiro dia de competitivas do 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi composta por 3 filmes, dois curtas e um longa, que se atravessam por narrar histórias protagonizadas por mulheres. Além disso, duas dessas histórias são atravessadas pela presença de corpos trans. Alguns apontamentos foram feitos tanto na sessão, quanto no debate e nos leva a pensar em desenhos de programação que pensem em como termos festivais por um cinema sem rótulos.

I. No palco, a atriz Noá Bonoba relembrou ao público presente que se faz urgente que pessoas como ela sejam vistas para além da identidade de gênero. Da mesma maneira, a realizadora Britney Federline, durante o debate no dia seguinte à exibição, se mostrou frustrada com o fato de seu filme ser programado par ao mesmo dia que um outro filme com uma atriz transgénero, pois “os três [filmes] falam, de certa forma, do que as pessoas consideram ‘diversidade’. Eu quero habitar outros lugares. Queria que meu filme estivesse em meio a outros e que o público que vai ao cinema não fosse para ver como uma obra de nicho.”

Logos Por um cinema sem rótulos
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II. Logos: elaborar a morte física e simbólica e celebrar a vida.

III. Com imagens de si, Britney Federline sugere o drama de sua experiência de quase morte e dialoga com sua rotina enquanto profissional do audiovisual. O corpo atua em várias instâncias, da infância à vida adulta, em primeira pessoa, circundado pela narrativa materna.

IV. Um leito hospitalar em meio às ondas do mar confere, portanto, poesia ao medo e à efemeridade da vida.

Safo Por um cinema sem rótulos
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V. Materiais e texturas diversas compõem o espaço pictórico animado por Rosana Urbes em Safo. Tais  texturas impregnam então a imagem ao ponto de provocar no espectador o desejo de tocar a tela e sentir a miríade de folhas, tinturas e sementes na ponta dos dedos. As plantas presentes nas pranchas são matéria e simbolismo: natureza, mãe terra.

VI. As imagens criadas são como fragmentos no e do tempo, da mesma forma que palavras que se movem como folhas ao vento.

VII. A vida acontece no atrito

VIII. Ver a produção escrita de Safo deslocada do lugar comum de erotismo sáfico aumenta a certeza de que o apagamento de mulheres na história das artes também passa não apenas pela reformulação de sua imagem, mas nos colocando em lugares em que seremos questionadas por escolhas lidas como fora da normalidade (liberdade sexual e lesbianidade).

IX. Os textos de Safo resistem no tempo, pois foram polinizados pelas línguas e dedos que a registraram. Da mesma forma, Urbes semeia o caminho para a lembrança da autora e de sua produção intelectual e sensível.

Morte e Vida Madalena
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X. O close é o corre

XII. Morte e Vida Madalena, de Guto Parente é um filme sobre fazer filmes. O por trás das telas retratado com bom humor, com o propósito de apresentar uma mulher vivendo o hiato entre a morte de seu pai e o nascimento de seu filho, superando assim as adversidades imprevisíveis da vida e da profissão de produtora.

XIII. Durante o debate algumas boas questões e nomeações às maneiras criativas que compartilho aqui: Guto, após a intervenção de um espectador na qual algum ruído de entendimento aconteceu, de forma bem humorada, definiu sua comédia como “fuleragem cearense”. Para a diretora de arte, Taís Augusto, o cenário construído para ser o filme dentro do filme parte da definição do diretor do que ele queria: algo que fosse ‘barroco futurista’. Assim sendo, o ambiente se constitui de uma parede texturizada com barro, gesso e outros materiais.

XIV. O set, os atores, a equipe fez o filme, bem como é o filme. Como fazer um filme assim? Apenas CONFIA!

Morte e Vida Madalena
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XV. Noá dialoga muito bem com a câmera. Como foi comentado durante a coletiva, ela se expressa com muita clareza por meio de seu olhar. Dessa maneira a força presente em Madalena diante de tantas adversidades mostram sua perseverança, assim como o anestesiamento da mulher diante de tantas demandas, ora profissionais, ora pessoais.

XVI. Madalena institucionaliza rosnar para os outros em momentos de profunda irritação.

XVII. Tavinho Teixeira e sua energia caótica desordenada reserva ótimos momentos no filme na pele de uma personagem inconstante, irritante e cômica, capaz de deixar Kubrick de cabelo em pé ao som de um brega tocado em um paredão (referência a uma das melhores sequências do filme).

Acompanhe toda a cobertura por aqui, em nosso post âncora.

Serviço

58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Data: 12 a 20 de setembro de 2025
Locais: Cine Brasília, Complexo Cultural de Planaltina, Sesc Gama, Sesc Ceilândia,
Sesc Estação 504 Sul, Sesc Setor Comercial Sul, Espaço Cultural Renato Russo,
Samambaia (Cine Céu)
Programação completa: festcinebrasilia.com.br
Redes Sociais: @festbrasili

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