Homem-Aranha: Um Novo Dia
O universo Marvel tem tentado se manter firme nos últimos tempos. Parece que desde Vingadores: Ultimato (2019), de Anthony Russo e Joe Russo, suas produções deram uma esfriada e não conseguem o mesmo público de antes. Muito devido à pressa de lançar muitas produções em pouco tempo, o que resulta em histórias que parecem terem sido pensadas de um dia para o outro e efeitos especiais de aparência inacabada. O universo do Homem Aranha, que pertence não a Disney, dona dos Vingadores, mas à Sony, tem sido o que melhor se manteve. Agora chega aos cinemas um novo capítulo do cabeça de teia com Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026), de Destin Daniel Cretton.

Esqueceram de Mim em Nova York
A nova produção do aranha se passa algum tempo após os eventos de Sem Volta Para Casa (2021), de Jon Watts, em que, ao final, todo mundo esqueceu quem era Peter Parker (Tom Holland). Atualmente, seu trabalho como Homem Aranha está dando resultado, ao contrário de sua vida pessoal cada vez mais triste e solitária em Nova York. Peter passa os dias stalkeando pelas redes sociais a vida de seu amigo Ned Leeds (Jacob Batalon) e sua amada MJ (Zendaya) pensando uma forma de trazê-los de volta para sua vida.
Assim como na trilogia de Sam Raimi protagonizada por Tobey Maguire, as coisas vão ficando cada vez mais sombrias no passar dos filmes. Arrisco dizer que Homem-Aranha: Um Novo Dia é o título mais triste do universo do Homem Aranha. Depois de toda a empolgação juvenil de ser herói ainda na escola, fazer parte dos Vingadores em uma missão no espaço, as tais das responsabilidades, tão reforçadas no mundo do herói, finalmente começam a pesar. Peter está num dilema entre voltar a ter contato com seus antigos amigos, suprindo sua solidão, ou deixá-los viverem no anonimato e seguros. Como já era esperado, um novo vilão surge e as coisas ficam um pouco mais complexas.
Além disso, o corpo de Peter está passando por alguma espécie de mutação, termo cada vez mais frequente nos filmes Marvel. Seus poderes parecem estar descontrolados, assim como quando eles surgiram. Além disso, ele começa a ter teias orgânicas, como no universo de Tobey Maguire. Então, Parker precisa lidar com tudo isso tudo sem nenhum apoio enquanto não pode confiar no seu próprio corpo que parece descontrolado.

Junção de Universos de forma eficiente
É interessante que Homem Aranha: Um Novo Dia mistura diferentes universos da Marvel dos cinemas de uma forma eficiente. Bruce Banner (Mark Ruffalo) e seu Hulk vindo dos Vingadores; o Justiceiro (Jon Bernthal), que tinha aparecido apenas em séries. Além disso, temos uma ligação com futuras produções dos X-Men. É interessante que quem está por dentro do universo mutante, seja nos desenhos animados ou quadrinhos, já vê algumas pistas do que pode acontecer no futuro.
Devido às dificuldades de se manter realmente relevante, conforme disse antes, a Marvel parece estar indo bem aos poucos com os próximos acontecimentos do seu universo compartilhado. A forma como as questões dos mutantes surgem aqui dão pistas disso. Parece que os personagens X são a carta na manga, uma salvação para o estúdio conseguir capturar o público. Muitos deles irão aparecer no próximo Vingadores: Doutor Destino (2026), de Anthony Russo e Joe Russo, que estreia no final deste ano.

Efeitos especiais e galeria de vilões
Outra coisa interessante em Homem Aranha: Um Novo Dia são os efeitos especiais. Conforme já relatado, tivemos produções que foram feitas às pressas e que pareciam não ter sido bem acabadas. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022), de Sam Raimi, Homem Formiga e a Vespa: Quantumania (2023), de Peyton Reed e a série She-Hulk: Defensora de Heróis (2022), de Jessica Gao, por exemplo, tinham cenas com efeitos desastrosos. Aqui, a impressão é que o filme foi feito com calma, prestando atenção aos detalhes. Isso faz com que você fique mais imerso nas lutas e cenas de ação, ao invés de quão estranho aquilo está, mesmo se tratando de uma produção com orçamento milionário.
A galeria de vilões e como eles aparecem também têm uma dosagem suficientemente boa. Muitos deles aparecem bem rapidamente e são mais uma piscada de olho para os que conhecem um pouco mais do universo do aracnídeo. Quem, assim como eu, conheceu o herói pela animação dos anos 1990 vai reconhecer vários deles.

Homem-Aranha: Um Novo Dia – Uma ponte para novos filmes da Marvel
Entretanto, as questões próprias do herói e seu universo dão uma dissipada quando o vilão é revelado. A partir de uma certa parte do filme, a história segue o rumo de construir uma ponte para as próximas produções do universo Marvel. Era uma coisa que os títulos anteriores com Tom Holland tinham investido um pouco menos. Na maior parte do tempo, os filmes do mundo dos Vingadores eram pontuações para construir uma unicidade. Como, por exemplo, Doutor Estranho em Sem Volta para Casa é a razão de os vilões de outros universos paralelos irem parar no mundo de Tom. Mas toda a trama e os desafios estão relacionados ao universo do Homem Aranha.
Essa mudança em Homem Aranha: Um Novo Dia faz com que o filme passe a servir mais a produções futuras da Marvel e não necessariamente às do Homem Aranha. Com isso, fica um gostinho de que já tínhamos um filme do herói pronto, mas decidimos acrescentar essa ponte aqui para os outros filmes da Marvel. O que não é necessariamente um problema, visto que o universo compartilhado do estúdio sempre funcionou dessa forma.
Por fim, Homem Aranha: Um Novo Dia é um filme de que o universo da Marvel precisava, com efeitos especiais realmente impressionantes e cenas de ação usadas no momento certo. As participações especiais não estão lá só por aparecer, e fazem o universo compartilhado realmente ter sentido. Entretanto, para o próprio universo do aracnídeo, não foi tão benéfico. É um filme interessante, aprofunda as questões existenciais do herói distanciando do otimismo que era construído na maior parte das produções anteriores. Entretanto, serve mais como ponte para outros universos do que o próprio. Certamente, são decisões corporativas que afetam o amigão da vizinhança.
Ficha Técnica

Direção: Destin Daniel Cretton
Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommers, Stan Lee
Edição: Nat Sanders
Fotografia: Brett Pawlak
Design de Produção: Charles Wood
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Mark Ruffalo, Jon Bernthal
