Dia D

O diretor Steven Spielberg é um dos nomes que é conhecido tanto pelos cinéfilos quanto pelo público médio do cinema. Entretanto, fazia bastante tempo que ele não lançava uma produção realmente interessante. O marketing utilizava largamente seu nome na divulgação, mas as produções não refletiam a sua genialidade. Agora com o longa Dia D (2026), Spielberg retorna ao tema dos alienígenas e restaura sua energia criativa de outras épocas.

Emily Blunt e o elenco de Dia D.
Emily Blunt e o elenco de Dia D.

E se a humanidade descobrisse que alienígenas realmente existem?

O longa tenta responder em suas quase duas horas e meia de filme: como a humanidade reagiria à comprovação da existência de vida alienígena? A trama gira em torno de dois personagens: a garota do tempo Margaret Fairchild (Emily Blunt) e o hacker Dr. Daniel Kellner (Josh O’Connor). Eles não têm uma ligação aparente, mas parecem destinados a mudar as crenças populares. Em oposição a eles, está Noah Scanlon (Colin Firth) que quer impedi-los de revelar a verdade para o mundo.

O interessante em Dia D é que a jornada é mais importante do que a conclusão. Em meio a cenas de ação, perseguição e espionagem, Spielberg trata de diversos assuntos. Temas como vocação, fé e traumas são tratados de formas criativas. Enquanto Kellner é o personagem que tem muita clareza sobre o que ele quer fazer, Margaret vai entendendo seu destino aos poucos. A personagem de Emily Blunt sempre suspeitou de que estava destinada a fazer alguma coisa maior, mas não entendia o que seria. Depois que algumas habilidades despertarem dentro dela, fatos do passado começam a fazer sentido e, aos poucos, ela entende seu futuro.

Fugindo das convenções do gênero

É interessante também que o roteiro foge das coisas óbvias desse tipo de filme em que uma organização do governo dos Estados Unidos tem que agir. Aqui Colin Firth coordena a equipe que persegue insistentemente os dois protagonistas. Traições e agentes secretos, são elementos deixados de lado para tratar de outros temas já mencionados aqui. Inclusive, o próprio roteiro acha graça disso quando Kellner, que é um cara de escritório, consegue fugir da equipe, supostamente treinada. Quando Colin Firth encontra com seu capanga ele pergunta: “Como um cara do administrativo conseguiu fugir de você?”. Acredito que o próprio Spielberg esteja dizendo que não se importa com as convenções do gênero de ação, no qual o mocinho costuma ser alguém altamente treinado para lutar ou algo do tipo.

Emily Blunt entendendo o seu destino em Dia D.
Emily Blunt entendendo o seu destino em Dia D.

Dia D, a verdade está lá fora?

Isso tudo é moldado pela câmera de Spielberg que consegue ser muito habilidoso. É interessante destacar o uso do natural para destacar o sobrenatural. A existência ou não de alienígenas está muito associada a luzes no céu. As supostas aparições de alienígenas estão sempre associadas a visão de luzes que se movem de uma forma anormal principalmente a noite. Produções como a série Arquivo X (1993 – 2018) e até mesmo Contatos Imediatos de Primeiro Grau (1977), do Spielberg, utilizam esse recurso. Em Dia D, Spielberg trabalha utilizando janelas. Sempre que os personagens estão falando sobre as revelações alienígenas, vemos uma luz que invade as janelas e ilumina os personagens. Sendo luzes naturais ou artificiais vindas de fora. Como se ele emulasse a famosa frase “A verdade está lá fora”, simbolizada por essa luz.

Por fim, Dia D é um filme do Steven Spielberg que esperávamos há muito tempo. Ele é emocionante, com ação e personagens interessantes. Não chega a ser o melhor trabalho do diretor, mas certamente está entre os mais interessantes. Principalmente se tratando dos seus últimos filmes que não trouxeram nada de muito novo. Pareciam apenas produções que seguiam protocolos do cinema. A produção é então, um Spielberg criativo e vale a pena sair de casa para ver na tela grande e se emocionar.

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