O noticiário atualmente tem sido uma mistura dos diversos personagens de diferentes áreas envolvidos em escândalos. Mas, na maioria delas, a figura do influencer tem aparecido de algumas forma. Talvez por não ter uma relação específica de alguma área, ela pode se relacionar com qualquer uma. Incluindo, de forma negativa. O longa Virtuosas (2026), de Cíntia Domit Bittar, fala sobre uma influencer coach que envolve política, religião, mulheres entre outros temas.

Mulheres Virtuosas

Na trama, embarcamos em uma imersão no universo de feminilidade conduzida pela influencer Virgínia Heizel (Bruna Linzmeyer). Algumas mulheres cristãs foram sorteadas e vão ter a oportunidade de passar alguns dias aprendendo a serem virtuosas. Como tratar bem os maridos e filhos, preparar refeições e fazer, orações estão no plano de estudos. Durante os dias de “estudos”, as coisas vão ficando mais estranhas e acabam tendo rumos inesperados.

O que chama atenção em Virtuosas é a capacidade de juntar diferentes temas. O que parece ser campos totalmente diferentes, se convergem em um único objetivo que aos poucos se revela. Partimos de um discurso de gênero, o público feminino, passando pela religião, cristianismo e desembarcamos em um discurso conservador, as chamadas trad wives. Um movimento ultraconservador que temos um regresso à função das mulheres de ficar em casa e cuidar dos filhos.

Virtuosas fala então, sobre os perigos e possibilidade de manipulação das massas. Uma vida perfeita que é vendida às custas de suprimir a suas próprias identidades. Como, por exemplo, uma das personagens é uma mulher negra. Para esconder seu cabelo afro, ela utiliza uma peruca para ter uma aparência mais próxima às demais. Mudando suas características pessoais para agradar uma imagem criada.

A cada momento, o longa vai ficando mais estranho. Mais segredos escondidos vão se revelando e resultando no surgimento de um monstro inesperado. Criado a partir das manipulações da Virgínia Heizel – nome que, acredito eu, não foi escolhido por acaso. 

Propositalmente estranho

Ao longo de Virtuosas, eu fui achando a atuação de Bruna Linzmeyer meio estranha, pouco naturalista. Mas, isso era o traço de uma personagem que tem uma certa psicopatia velada. De tanto querer se passar como perfeita, a pessoa acaba se tornando meio robótica. Com isso, por trás de uma imagem de perfeição, ela busca manipular suas seguidoras para um objetivo próprio. Utilizando de suas vulnerabilidades a seu favor.

Por fim, Virtuosas retrata o horror que tem se apoderando do país nos últimos anos. Influencers coachs que utilizam de seu alcance para ganhar dinheiro e prestígio. Muitos, como é o caso da personagem Virgínia, utilizam a fé como um recurso. É um horror com música gospel e receitas para ser submissa. E obviamente, esbarrando na política e, mais especificamente, no universo da direita conservadora brasileira. 

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Foto de Cleiton Lopes

Cleiton Lopes

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